Câncer é a palavra que usamos para definir um grupo de mais de cem doenças que têm em comum o aparecimento de células defeituosas que se multiplicam descontroladamente. Juntas, estas células formam tumores que podem migrar e invadir outras estruturas, comprometendo suas funções.
O câncer sempre existiu. Já na Grécia e Egito antigos havia referências a esta enfermidade.
Atualmente a cirurgia ainda tem papel fundamental na cura de alguns tipos de câncer, mas a tendência é que, aliada a outras modalidades terapêuticas, se torne cada vez menos mutilante.
A segunda modalidade de tratamento do câncer surgiu com a descoberta da radiação também no final do século XIX. No entanto, somente a partir da II Guerra Mundial, é que a radioterapia passou a ter aplicação rotineira nos esquemas de tratamento de alguns tumores. Era o inicio da abordagem multidisciplinar no tratamento do câncer. O cirurgião já não estava mais sozinho, mas sim, trabalhando em conjunto com os radioterapeutas na luta contra o câncer.Com o progresso da medicina, outra importante observação levou à terceira forma de tratamento contra o câncer, a quimioterapia.
Durante a II Guerra Mundial (1940-45), na autopsia de soldados expostos ao gás mostarda, médicos verificaram uma grande redução dos gânglios linfáticos. Concluiu-se que esta substância poderia ser eficaz contra os tumores deste sistema. Foi então desenvolvida a “mostarda nitrogenada” que, realmente se revelou eficiente contra certos linfomas.O impulso da oncologia, que se tornou um outro marco nesta historia, foi dado na década de 70. Em 1973, nos Estados Unidos, o presidente Nixon declarou “guerra contra o câncer” dispondo bilhões e bilhões de dólares para pesquisas nesta área.
Hoje existem centenas de medicamentos quimioterápicos. Diferentemente da cirurgia e da radioterapia, que atuam no local do tumor, a quimioterapia é sistêmica, ou seja, além do tumor primário, ela atua também em outras partes do corpo, destruindo células tumorais que possam ter se disseminado.Dependendo do tumor, a quimioterapia pode ser administrada antes da cirurgia com o objetivo de reduzir a massa, favorecendo uma cirurgia menos mutilante.
Geralmente dois ou mais agentes quimioterápicos em combinação são empregados, com ações diferentes e complementares, intensificando o efeito antitumoral.
As vias de administração mais utilizadas são a endovenosa, intramuscular e oral. As aplicações podem ser diárias, semanais ou mensais. Assim como o tempo de tratamento, as doses e a escolha dos agentes irão depender, entre outros fatores, do tipo de câncer, seu grau e idade do paciente. Na maioria das vezes o paciente recebe as medicações no ambulatório ou mesmo em casa e em poucos casos precisa de hospitalização.
As três formas de tratamento podem ou não ser utilizadas em um mesmo paciente. Nem todos os tumores são sensíveis à quimio ou à radioterapia ou cirurgicamente ressecáveis.
Durante o tratamento, um acompanhamento das condições do paciente através de exames clínicos e laboratoriais, assim como a observação da resposta do tumor às drogas utilizadas, irão determinar os passos seguintes.
O transplante de medula óssea é outra forma de tratamento com indicações restritas na faixa pediátrica.
Atualmente, outras terapias antitumorais que prometem bons resultados estão em estudo. São elas a imunoterapia e a “terapia-alvo”. Desta, os anticorpos monoclonais tem a pretensão de funcionar como “mísseis teleguiados” para combater especificamente estruturas pertencentes somente às células tumorais.
A radioterapia também pode lesar células normais em seu campo de ação.
O medicamento ideal deveria destruir as células cancerosas sem lesar as normais. No entanto, este medicamento não existe. Apesar disto, os efeitos colaterais podem ser minimizados e as complicações decorrentes quase sempre resolvidas, obtendo-se assim o equilíbrio entre os efeitos indesejáveis e os terapêuticos.
É sobre estes efeitos e algumas dicas para amenizá-los que trata a segunda parte deste artigo, na próxima edição do jornal da ACACCI.