O Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória, em Vitória, iniciou os trabalhos do Setor de Oncologia em 1986, atendendo pacientes de todo o Estado do Espírito Santo e dos Municípios limítrofes da Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Logo logo, seus profissionais e os muitos pacientes começaram a enfrentar dificuldades que travavam a qualidade no atendimento, como as instalações não adequadas e um ambiente que se mostrava totalmente desumanizado.
Além disso, os leitos permaneciam ocupados em demasia, porque muitas famílias, por questões econômicas, não tinham como retirar dali os filhos em tratamento — e, quando o faziam, isso gerava o abandono do processo de tratamento.
Esta realidade motivou que pais de crianças com câncer, médicos e outros profissionais envolvidos, além de membros da sociedade em geral, se organizassem com o propósito de pelo menos minimizar os problemas que se acumulavam.
A partir de soluções testadas em outras regiões do País, e até no exterior, focaram o movimento na busca por um ambulatório voltado para o câncer infantil e na adaptação de uma enfermaria que se destacasse por dispor de mais conforto.
Porém, estas primeiras vitórias mostraram que ainda faltava muito para se conseguir a garantia de maior eficácia no combate à doença e, ao mesmo tempo, reduzir ou eliminar a vulnerabilidade social dos responsáveis durante este período.
Careciam de uma estrutura que pudesse ampliar a assistência e o apoio aos mais pobres, de forma que, além de manter o paciente, permitisse que os parentes tivessem condições de acompanhar todo o caminhar em busca da cura.
Assim, em 15 de março de 1988, é criada a Associação Capixaba de Combate ao Câncer Infantil — Acacci, organização não-governamental, sem fins lucrativos, voltada a melhorar a qualidade de vida de todos os afetados pelo câncer infantil.
Trata-se de uma estrutura criada para, além de propiciar um melhor enfrentamento da doença, minorar a angústia daqueles que sofrem física e espiritualmente, sem esquecer-se de resgatar os valores de cidadania a que todos eles têm direito.
Desde seu início, a entidade se mantém com doações em dinheiro, produtos ou serviços, vindos dos Governos em suas instâncias municipal, estadual ou federal, empresas públicas e privadas, associações da sociedade civil e de pessoas físicas.
Administrada por uma Diretoria e um Conselho Fiscal de voluntários, desde sua fundação, vem ampliando o leque de serviços de acolhimento que oferece às crianças e adolescentes e aos familiares que os acompanham durante a longa jornada.
Eles recebem passagens para se deslocar de suas cidades de origem ou retornar a elas e hospedagem e alimentação no Núcleo de Apoio enquanto permanecerem em Vitória, e mais vales-transporte, medicamentos, roupas e ajuda de custo.
E o que não é menos importante: assistência psicológica, participação em atividades para minimizar o impacto emocional provocado tanto pela enfermidade quanto o seu combate e programas de manutenção do rendimento escolar.